Os segredos das mídias sociais revelados 50 anos atrás

Usar mídias sociais como ferramentas de marketing tem mais a ver com entender o ser-humano do que entender de tecnologia. É por isso que a maioria das empresas falham ao utilizá-las e a pressão do alto escalão das empresas  tem estado cada vez maior  sobre o departamento de marketing que, muitas vezes,  não consegue gerar resultados palpáveis para a empresa.

Se você quer realmente colher os frutos das mídias sociais — conquistar novos clientes, solucionar problemas, transformar feedbacks em inovação, etc– é preciso compreender melhor como as pessoas usam, por que usam, quais seus anseios, motivações e influências.

Além de marketing, eu sou apaixonado por história, e fico fascinado toda vez que vejo coisas de 50, 100 anos fazerem sentido hoje. Uma coisa que eu percebi é que de todas as coisas, A que menos muda é a natureza humana. Séculos são necessários para ocorrer mudanças consideráveis no aspecto humano da civilização.  Claro que a Geração Y é diferente dos Baby Boomers, porém a maior parte das suas diferenças estão nos hábitos, não nas necessidades humanas.

Deixando o papo antropológico de lado, o trabalho de muitas pessoas do século passado continuam inspirando os profissionais de hoje. É o caso de Ernest Dichter, considerado o pai da motivação. Ernest foi um dos primeiros psicólogos a realizar pesquisas sobre comportamento do consumidor, publicando 17 livros e exercendo grande influência na indústria da propaganda do século 20.

Em 1966, Ernest publicou uma pesquisa sobre influência e relacionamento interpessoal que tem tudo a ver com as redes sociais hoje. O estudo cita 3 grandes descobertas que podem ser considerados a base para o uso eficiente das redes sociais hoje.

Primeira descoberta

As 4 motivações que levam pessoas a falar sobre marcas:

  1. Envolvimento com o produto (33% dos casos): o produto é único e/ou gera uma experiência nova e prazerosa que merece ser compartilhada.
  2. Envolvimento pessoal (24%): conheço o produto e gostaria de falar a respeito, expressar minhas opiniões, meu conhecimento ou informações que só eu sei — ou poucos sabem.
  3. Envolvimento com os outros (20%): expressar cuidado e ajuda com o próximo, geralmente amigos, colegas e familiares. Por exemplo, sugerir produtos que eu sei que aquela pessoa se interessa.
  4. Envolvimento com a mensagem (20%): o conteúdo é tão interessante, bem feito, engraçado, tocante ou único que merece ser compartilhado.

Segunda descoberta

Para as pessoas acreditarem em algo, é preciso que a empresa — ou a pessoa — tenha credibilidade. Ninguém irá repassar uma informação de quem não confia, é preciso ter experiência naquele assunto. Além disso, parta do princípio que os consumidores são céticos, porque eles são. Se na década de 60, quando Ernest fez a pesquisa, eles já duvidavam se era “papo de vendedor” ou estavam tentando ajudar, imagine agora. Empresas precisam parecer sinceras, honestas e passar a imagem de que realmente querem ajudar seus consumidores e não apenas vender mais um produto ou serviço.

Entender isso nos leva a algo muito falado nos dias de hoje: a criação de diálogo com os consumidores. Empresas precisam construir canais de conversa com o consumidor, gerar conteúdo, dar aos consumidores o que falar e deixar que eles cuidem do resto. Ninguém é mais confiável para uma pessoa do que um semelhante.

Terceira descoberta

Cerca de 80% de todas as compras tem alguma influência de outra pessoa. Esse número pouco mudou nos dias de hoje. É importante dizer que a pesquisa foi realizada quando a TV ainda era um meio confiável e acessível para poucas empresas. Com a popularização, os veículos em geral perderam credibilidade, aumentando ainda mais a importância das recomendações.

Vale ressaltar a idade dessa pesquisa: 45 anos. É ainda mais fascinante ver como funciona algo descoberto antes da maioria dos conceitos e técnicas de marketing. Acredito que esses sejam os fundamentos do uso das mídias sociais. Não é segredo, possivelmente a maioria de vocês já viu pelo menos algum deles por aí, o segredo que nem você (nem eu) sabia era que um tiozinho cabeça branca já sabia de tudo isso quase 50 anos atrás.

Fonte: Pequeno Guru

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