Falando de Marketing Político Digital

Muito já se falou sobre esse case, mas como estamos em época de eleições e é a primeira pós-Obama, gostaria de citar alguns bons exemplos utilizados pela equipe de Obama e como colocou em prática nas tecnologias sociais em seu show de marketing político digital. Ele venceu a eleição de 2008 por sete pontos percentuais, em grande parte por ter usado todas as tecnologias sociais de nossa época: blogs, fóruns de discussão, vídeos virtuais, mensagens de texto e redes de celulares – para conectar-se com seu eleitorado. Criou uma comunidade de base (My.BarackObama.com) para vender sua campanha e arrecadar uma quantidade de fundos sem precedentes.

O pessoal de Obama usou softwares para gestão de relacionamento com o cliente e para criar um verdadeiro relacionamento de cliente dentro de sua comunidade. E usou mensagens de texto e redes de celulares para expandir e reforçar sua comunidade. Barack Obama, conforme retratado por um memorável vídeo no Youtube, é o Dr. Spock dos políticos – imperturbável, frio, sereno a ponto de parecer um vulcaniano.

A equipe de Obama criou o site My.BarackObama.com de forma clara, elegante e divertida – seu design foi muitas vezes comparado com o do iPod e de outros produtos. À la Facebook e outros sites de redes sociais, os membros do MyBo criaram as próprias páginas e ingressaram em grupos afins, fornecendo as costumeiras informações e fotos pessoais.

Assim como Barack Obama fez o My.BarackObama.com, a empresa pôde atrair pessoas para sua rede social ao promovê-la no principal site da empresa.

Como sites anteriores, o grande esforço poderia ser terminado com um simples “grato pela lembrança” quando a campanha tivesse acabado. Mas dessa vez não. Um novo site foi criado, Change.gov, e o presidente eleito continuou com os emails e mensagens de texto.

Marketing político digital e Mídias Sociais

No caso do Facebook, a equipe criou um aplicativo chamado “Obama”, que compreendia todo o conteúdo produzido pela campanha, inclusive vídeos, press releases e blogs. Até mesmo permitia que os usuários classificassem a mídia, destacando os itens mais populares. O aplicativo atraiu um milhão de simpatizantes regulares. É claro que a equipe de Obama teve certa vantagem ao criar para o Facebook, pois, como já dissemos, Chris Hughes, cofundador do site, estava trabalhando na campanha.

No LinkedIn, Obama iniciou discussões sobre o futuro das empresas americanas. Centenas de vídeos produzidos de forma rápida e acessível pelo pessoal de Obama foram colocados no Youtube. Em outubro de 2008, os vídeos já tinham sido vistos 77 milhões de vezes, isso só no YouTube.

A equipe de Obama, quando não estava fornecendo mensagens customizadas aos sites de rede, estava pedindo aos voluntários que o fizessem. Um voluntário que se inscreveu no MySpace, por exemplo, podia ser solicitado a colocar um adesivo de Obama em sua página. No Digg.com, os membros postavam de tudo, de notícias a vídeos, e os posts que recebiam mais votos apareciam na primeira página do site. Um voluntário de Obama que estivesse por dentro do Digg poderia ter sido solicitado a postar um artigo que derrubou John McCain ou elogiou Obama.

O presidente eleito Obama foi tão cativante, e seus simpatizantes tão dedicados, que alguns acharam que seus e-mails eram só para eles. É o marketing one-to-one, cujo conceito na web é fundamental para o sucesso de qualquer empresa, marca ou campanha política. E no Brasil? O começo é um bom planejamento.

Planejamento de Marketing Político Digital nas Mídias Sociais

O primeiro passo para o desenvolvimento de uma campanha de marketing político digital é planejar todas as ações a serem realizadas pelo candidato. O planejamento vai desde a análise SWOT a qual tem por objetivo identificar  forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, a estudo dos projetos, seu público-alvo, seus principais concorrentes e seus objetivos nas redes. Identificar as redes sociais mais adequadas para aquele candidato, e o tipo de linguagem abordada, assim como detalhadamente todas as ações propostas.

Para o sucesso de qualquer campanha eleitoral online, é necessário ter como base a interatividade. Os protagonistas são as pessoas, não os candidatos. É uma campanha que deve ter em sua essência o trabalho voluntário. O segredo é procurar fazer com que as ações sejam o menos comerciais possível, nada de nome de partidos nos nomes dos perfis e coisas do tipo. É fundamental valorizar a biografia dos candidatos, seus projetos, sua origem. Ao partirem para o marketing político na Internet, os candidatos irão perceber que os usuários querem saber quem é de verdade aquele cara, quais as ideias dele e o que ele já fez.

Na Internet, tudo é muito rápido, é um palco para a democracia. É formado por múltiplos emissores/receptores que se comunicam com outros múltiplos emissores/receptores e daí por diante. Uma estrutura de comunicação descentralizada e sem hierarquia, de forma direta, sem intermediários. Com alto poder de interatividade com os eleitores, que devem ser tratados de forma personalizada, one-to-one. Estes podem iniciar mobilizações sociais através de engajamentos a baixo custo.

É obvio que veremos um festival de trapalhadas, desde os prefeitos aos candidatos a vereadores. Alguns montaram equipes competentes e terão sucesso, outros deixaram a cargo de sobrinhos e assessores. Nem todos no Twitter vão receber replys imediatamente ou nem vão receber, talvez se insistirem muito alguns usuários recebam. Vamos ter propaganda marrom. Vamos ter inovações também, até porque a realidade brasileira é outra, mas veremos ações boas.

O que tenho certeza é que um novo campo está se abrindo para aqueles que estudam e se dedicam ao marketing digital, tanto nas empresas quanto no marketing político digital, e tanto os empresários quanto os políticos verão a importância de uma equipe especializada para gerir suas marcas no ambiente digital.

Grande abraço!

Por André Telles no Mídia Boom