Vivemos um apagão de profissionais de marketing digital

Se a indústria do petróleo sofresse com a mesma falta de profissionais que o setor de marketing digital, esse “apagão” seria tratado como crise de Estado. Esta é avaliação dos profissionais que participaram do Digitalks, simpósio itinerante sobre mídias digitais que tem sua última etapa do ano em São Paulo no ano passado.

Em debate que encerrou o evento, Abel Reis, da Agência Click Isobar, defendeu que o Brasil só vai continuar se desenvolvendo se apostar na indústria do futuro.

– Eu definitivamente acho que é uma mentalidade dominante na elite brasileira achar que o Brasil vai se desenvolver com indústrias do século passado. O mercado digital é que pode colocar a indústria do país no século 21. Se a indústria petroleira vivesse a crise que nós vivemos, isso seria tratado como crise de Estado. A falta de profissionais se reflete em prazo, salários.

Gil Giardelli, da empresa Gaia Creative, disse que “estamos em uma era em que é preciso estudar para o resto da vida” e alertou que, por causa desse apagão no marketing digital, os brasileiros estão perdendo mercado para pessoas de fora do país.

– As grandes oportunidades não estão ficando com os brasileiros. Dados do Ministério do Trabalho mostram que quase 40 mil estrangeiros entraram com visto de trabalho no país. Está na hora de voltar a estudar.

Reis também citou sua empresa para exemplificar como grande parte dos trabalhadores do mercado digital é proveniente de outras áreas.

– 70% das pessoas que contratamos [na Agência Click Isobar] não trabalhavam com mídia digital. A verdade é que é um esforço de caça talentos. A gente perde [profissionais] todo dia. Perde para as agências tradicionais [de publicidade], que estão absolutamente desesperadas, e que tiram nossos profissionais a peso de ouro. É desta maneira que o mercado reage.

Giardelli culpou as instituições publicas de ensino superior, que não conseguem acompanhar o ritmo das inovações tecnológicas, pela crise de falta de profissionais qualificados no mercado do marketing digital. Para o executivo da Gaia, as universidades têm a grade curricular defasada por insistir em um velho sistema de ensino. A solução para o problema está em cursos livres nesta área.

– A velocidade real é muita diferente da velocidade digital. A universidade da forma como conhecemos vem do século 20. Essa educação de um professor falando e os alunos só ouvindo, sem interagir, é do século 19. Mas, a crise na educação não é só do Brasil, é mundial.

Fonte: R7

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